Sobre palestras em escolas e as sensações que isso causa








Semana passada, eu fui para a Escola Municipal José Gomes Vieira, onde minha tia é diretora, e lá eu contei um pouco sobre meu processo de escrita e produção do meu primeiro livro, que foi lançado esse ano.
Aqui eu vou resumir mais ou menos como foi aquela experiência, que até agora foi a melhor da minha vida.


Primeiro tópico: Chamado repentino


Foi assim, do nada. Minha tia me mandou um e-mail perguntando se eu queria ir até a escola, falar um pouco sobre o livro e inspirar as crianças a fazer algo. Não escrever ou desenhar, mas fazer alguma coisa. Ter iniciativa, vontade.
Alguém para incendiá-los.
Eu disse um claro que sim, sem pensar, e acrescentei que nesses dias estou livre, já que a minha universidade está em greve. Ela respondeu que organizaria o mais rápido possível.
Só que eu não pensei ser tão rápido!
Não tive muito tempo, foi de uma semana para outra. Não deu nem pra avisar! Tive que correr e fazer uns folders, arrumar minhas pastas, escrever mais ou menos o que ia falar e por a cara no sol.
Então eu fui.



Segundo Tópico: Se você for um palestrante, não se esqueça de dizer seu nome


Então eu cheguei lá. Outra cidade, da minha avó materna, que fica bem perto daqui. Fui com uma antiga professora minha, e cheguei lá muito nervosa. Muito MESMO. Sequei meia garrafinha de água e ainda estava com sede.
Eu esqueci tudo que ia dizer! Simplesmente minha mente deu um branco total. Eu tinha 5 horários e mais ou menos 40 alunos por horário para enfrentar, sendo que o primeiro tempo seria reduzido, pelos atrasos na organização.
Os guris se sentaram, eu engoli seco e fiz um esforço colossal para dizer um alto e sonoro BOM DIA.
Quem me conhece sabe que eu não sei falar alto. Não é que eu não me esforce, eu simplesmente não consigo, não aprendi a falar gritando. Além do mais, sussurros são bem mais dramáticos.
Como eu estava paranoica com o tempo, saí emendando uma coisa na outra e falei sem parar por uns quinze minutos, concluindo minha história, só que sem me apresentar.
Aí veio um silêncio mortal.


Terceiro Tópico: Ninguém vai te morder, a propósito


— Perguntas?
Foi o que disse antes de voar para a garrafinha, e nada. Eu tinha que fazer alguma coisa, ou eles iam ficar quietos pra sempre.
— Gente, cês tem que perguntar alguma coisa, eu vou ficar aqui só olhando suas caras?
Então eles riram, e aquilo foi um alívio. Vieram um monte de perguntas, e uma das primeiras foi “Qual é seu nome?” – foi aí que eu notei que não tinha me apresentado e fiquei com muita vergonha.
Tudo correu extremamente bem. As turmas seguintes foram legais como a primeira, e todos perguntavam bastante coisa (“Cê é roqueira, moça?” “Ué, eu to com uma camisa do Iron Maiden… mas eu não vou pro cemitério beber vinho não, pode ficar calmo”). Sempre tinha o-guri-que-desenha, e a maioria via os mesmos animes que eu. A identificação aconteceu na hora, o que ajudou bastante. Eu não era diferente deles, só era mais velha.
Deu pra notar que eles gostaram. Um deles voltou na sala e buscou um desenho para eu ver, outro me perguntou o que ele podia fazer para melhorar – prática. Prática e prática, eu não nasci desenhando, vocês também não, tudo se aprende, não tem essa de talento.
A partir da terceira turma, alguém inventou que queria um autógrafo. Imagine 30 adolescentes pulando em cima de você com papeis para autografar, eu quase morri! Montei uma fila indiana, autografei folders (e dois braços) e ri muito disso.





Conclusão


Foi mágico. Foi lindo e foi enriquecedor. Eu fui me soltando e fazendo mais piadinhas pra eles, e eles me perguntavam coisas legais, nem sempre relacionadas ao livro (“E One Piece, cê já viu?”). Não havia um muro entre a gente, isso foi bem legal. Minha vergonha, meu medo e nervosismo foram desaparecendo devagar, e foi uma alegria tão grande quando acabou e eu vi que tudo tinha dado certo. Eu tinha conseguido.
Eu os incendiei.




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